Lenine más experimental y minimalista: Chão

Chão es el disco que afortunadamente vendrá a presentar Lenine a Montevideo el próximo 26 de abril.

Es un disco bastante diferente.

Lo primero que llama la atención, es que los temas son cortos. Todos duran menos de 4 minutos. Luego de escuchar medio tema, a uno le queda claro que no es un disco para poner y escuchar mientras se hace otra cosa. Me resultó imposible escucharlo mientras corregía la novela que tengo entre manos. Tuve que focalizar mi atención para realmente escucharlo.

Como él mismo lo describe: “más experimental y minimalista” y estas palabras lo definen a la perfección. Creo que no podría ser más minimalista y es brutalmente experimental, no solo en los sonidos de lo cotidiano que incluye en todo el disco (lavarropas, canto de pájaros, pasos en el piso, latidos del corazón, una motosierra y más), sino porque las notas son experimentales en sí. Al menos yo sentí que generaban en mí reacciones diferentes a las que generan las canciones en general, y las de Lenine en particular. No sé si a ustedes les pasa, pero cuando escucho mucho a un artista, por más que surja un disco nuevo, cuando lo escucho por primera vez, ya presiento qué sonidos irán viniendo, y pocas veces me equivoco. Este disco es la excepción. Me desubicó buenamente. Me sorprendió y agradezco esa diferencia y novedad.

Comparto algunas cosas dichas por Lenine sobre el disco, que me parecen de mucho interés:

“Eu tinha muitas músicas guardadas, mas queria ter esse frescor, essa sincronicidade com a minha cabeça hoje. Daí foram surgindo as músicas. No fim, Chão foi feito para ouvir de uma tacada só. As canções são interligadas, como uma suíte. As músicas são complementares. Não escrevi um livro de contos, escrevi um romance”.

“Como sempre fui meio artesão, sempre fiz minha trajetória sem levar em conta esses aspectos [las idas y venidas del mercado]. Talvez por isso eu tenha essa autonomia. Faço o que faço porque quero e porque quero, eu faço”.

“Eu já estava com desejo de fazer um disco novo e já tinha esse estímulo de trilhar um novo caminho sonoro. Portanto, eu já sabia o que eu não queria fazer. Sabia que não queria bateria, o que foi um elemento fundamental no processo de criação. Com isso, eu teria que encontrar soluções para suprir uma possível carência rítmica que um projeto como esse poderia ter. Depois, eu achei o nome, isso mesmo antes de ter as músicas: Chão. Sou apaixonado por esse monossílabo nasal. Chão já tem a onomatopéia do andar e a língua brasileira deu uma conotação diferente a esses sons nasais. Em lugar nenhum do mundo você vai ouvir alguém dizer “ão” do jeito que a gente fala. Então, a primeira paixão foi vernacular, foi pela palavra”

Lenine dice también que fue un desafío adaptar esos temas que no puede dejar de cantar en un show, que son los favoritos de la gente, a un formato sin batería. Para los amantes de la batería – como somos tantos de los “Atresillados” – esta noticia no será la más bienvenida, pero yo siento que será un show archi disfrutable, donde quizás hasta nos venga bien que no haya batería para que nuestra atención pueda estar realmente en el conjunto y en el detalle, sin que nuestros ojos y oídos vayan la mayoría del tiempo hacia el baterista. La percusión no faltará, obviamente.

Los temas del disco son:

1- Chão
2- Se Não For Amor Eu Cegue
3- Amor É pra Quem Ama
4- Seres Estranhos
5- Uma Canção É Só
6- Envergo Mas Não Quebro
7- Malvadeza
8- Tudo Que Me Falta, Nada Que Me Sobra
9- De Onde Vem a Canção
10- Isso É Só o Começo

Y pueden escucharlos todos en el site oficial de Lenine.

Hoy no tengo ganas de comentar tema por tema, así que sepan disculpar la haraganería.

Amor é pra quem ama

“Estávamos gravando Amor é Pra Quem Ama e na hora de ouvir como ficou a gravação notamos que tinha havido o vazamento do canto do passarinho. Na hora que ouvimos descobrimos que o canto estava no tom da música e que o canário procurava o tom e mudava o gorjeio na hora certa da mudança de andamento da canção. Ficamos impactados com isso e decidimos pegar o microfone e gravar o canto do pássaro. A partir daí veio a idéia de colocar sons do cotidiano no disco. Tudo culpa do canário belga

En este video Lenine muestra cómo el canario, “Federico VI”, canta en la misma tonalidad, inspirado por la canción… y resolvieron incluirlo. (Es un placer escucharlo hablar a Lenine, ¿eh?)

Este otro video lo tomé también del site oficial de Lenine. Sé que a daya le gustará. Es muy muy breve…

De onde vem a canção?

Me gustó mucho esta letra. Si Lenine me hubiese preguntado mi opinión, yo le hubiese sugerido agregar un par de frases en referencia a adónde va la canción cuando un oyente se la adueña. Implícito está, pero yo lo hubiese explicitado.

De onde?
De onde vem?
De onde vem a canção?
Quando do céu despenca
Quando já nasce pronta
Quando o vento é que inventa
De onde vem a canção?

De onde?
De onde vem?
De onde vem a canção?
Quando se materializa
No instante que se encanta
Do nada se concretiza
De onde vem a canção?

Pra onde vai a canção
Quando finda a melodia?
Onde a onda se propaga?
Em que espectro irradia?
Pra onde ela vai quando tudo silencia?
Depois do som consumado
Onde ela existiria?

De onde?
De onde vem?
De onde vem a canção?

Isso é so o começo

En el tema “Isso é so o começo” es maravilloso el canto del canario y, contrapuesto, el sonido del lavarropas.

Isso é só o começo

É só o começo
Isso é só o começo
É só o começo

Aqui chegamos, enfim
A um ponto sem regresso
Ao começo do fim
De um longo e lento processo
Que se apressa a cada ano
Como um progresso insano
Que marcha pro retrocesso
E é só o começo

Estranhos dias vivemos
Dias de eventos extremos
E de excessos em excesso
Mas se com tudo que vemos
Os olhos viram do avesso
Outros eventos veremos
Outros extremos virão
Prepare seu coração
Que isso é só o começo
É só o começo
Isso é só o começo
É só o começo

Aqui chegamos, porém
Num evento diferente
Onde a gente se entretém
Um ao outro, frente a frente
Deixando um pouco ao fundo
O ambiente do mundo
Por esse aqui, entre a gente
É só o começo

Assim nesse clima quente
No espaço e tempo presente
Meu canto eu lanço, não meço
Minha rima eu arremesso
Pra que nada fique intacto
E tudo sinta o impacto
Da ação de cada canção
Preparem-se irmã, irmão
Que isso é só o começo
É só o começo
Isso é só o começo
É só o começo

En la tapa del disco Lenine está tirado en el piso con su nieto durmiendo encima de él. Es hermoso toda la seguridad, la paz y el amor que transmite esta tapa.

Para cerrar: GRACIAS Lenine por venir una vez más a Montevideo. Yo debí haberte visto hace un par de (o tres?) años y no lo hice por torpe. Esta vez no faltaré por nada del mundo.

Posdata: Mi corazoncito ruega que toques “O último por do sol” pero se pregunta cómo lo lograrías sin esas escobillas mágicas de la batería…

Lenine

Hola… si es que alguien llega a ver esto.

Me vino una necesidad imperiosa de compartir esto y creo que este es el lugar adecuado.

Como siempre, no sé mucho qué decir… más que “me gusta mucho”.

Por si acaso quitan de Youtube la posibilidad de la incrustación, aquí está el link: http://www.youtube.com/watch?v=qoeBK1MxI_U

Letra:

A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.
No dia em que você foi embora,
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando nós dois.

Eu lembro a concha em seu ouvido,
Trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em que você foi embora,
Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de santa cruz lembrando nós dois

Os edifícios abandonados,
As estradas sem ninguém,
Óleo queimado, as vigas na areia,
A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,
Por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas

Pois no dia em que você foi embora,
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
O último homem no dia em que o sol morreu

Link: http://www.youtube.com/watch?v=sXmWAOIWg3w

Letra:

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (Tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não para não)

Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não para não…a vida nãopara)